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Uma Batalha Após A Outra - Crítica: 4/5

  • Writer: Gabriel Sousa
    Gabriel Sousa
  • Sep 26, 2025
  • 3 min read

A breve filmografia de Paul Thomas Anderson tem seus méritos. Contudo, é valido dizer que em nove longas em que dirigiu, embora cada um tenha tramas diferentes, seus elementos narrativos são mais convencionais. Recordo de ter conferido a obra-prima – sendo seu terceiro longa em que esteve na direção – Magnólia, o igualmente fantástico Boogie Nights – Prazer Sem Limites, um melancólico drama Trama Fantasma, o clássico Sangue Negro – ovacionado internacionalmente, diga-se de passagem – entre outros. Pois bem, o que nos leva ao décimo longa do cineasta, que não foge a regra quanto à sua narrativa, mas com uma trama completamente distinta de suas obras anteriores.


Abrindo o filme com um prólogo mostrando e/ou retratando a violência por parte de policiais – revidada por militantes progressistas – num local totalmente pacato e com problemas de conectividade, o roteiro de Anderson já nos conduz de forma depressa à coadjuvante Perfídia (Teyana Taylor) e ao protagonista Bob Ferguson (DiCaprio). É interessante observarmos desde seus, digamos… vinte primeiros minutos, quando ainda há um sexto de filme, que o cineasta não mede esforços em deixar sua narrativa enriquecida, com planos que duram cerca de três segundos – casual em cenas do gênero –, gerando um – positivo – desconforto ao espectador. Neste quesito a narrativa é sobressalente, pouco sorrateira, mas bastante hábil.


Dando início ao primeiro ato, o longa também inicia a narrar a conturbada vida do casal principal citado anteriormente. Assim, o roteiro vai, contrapondo a tal sobressaliência realizada no prólogo, sutilmente escalando a tensão, até que, enfim, é revelada a problemática da trama. E vejam como mesmo que lentamente, o filme consegue extrair do espectador uma espécie de expectativa, que, por fim, resultou na incógnita principal de sua primeira parte.


Entre duas performances conjuntas e paralelas, a obra de Anderson nos leva, finalmente, ao seu segundo ato, um momento em que o filme abordará com uma absurda calmaria. Mas esta tal lentidão não é um demérito e/ou falha do roteiro ou da direção, afinal, se faz necessária por retratar, sem uso de flashbacks, inclusive, a vida do personagem de DiCaprio, quanto à sua filha Deandra (Regina Hall). Esta sendo mais que especial e tocante por toda a narrativa, por sua emocional e física atuação, contracenando magistralmente com os demais personagens.


Interpretado com pura simplicidade por Benício del Toro, o filme dá vida – juntamente à sua performance – a uma belíssima figura, o Sensei, que este viria a ser a tamanha esperança do protagonista. E, assim como há uma ótima junção de Hall e DiCaprio como pai e filha, destaco também a relação entre este e Del Toro. Menciono até seu casual sotaque americano, que chega a ser mais um incremento ao seu personagem. Consequentemente, é também um mérito importantíssimo para criar uma atmosfera mais leve, favorecendo bastante o humor do filme – que, em seu primeiro e terceiro ato, é claramente notável a atmosfera densa, por motivos já citados.


Outro aspecto admirável na obra de Anderson, é o desenho (de som), edição e mixagem sonora do também espanhol José Antonio Garcia. Pois trata-se de um longa cujo terceiro ato se passa – citado no texto – numa zona rural. Cada resquício sonoro emitido nas cenas ou simplesmente planos – gerais ou médios – é fundamental para que tal atmosfera flua da melhor maneira possível. Um trabalho que acrescenta à impecável montagem, cujos cortes são estonteantes e devastadores, oscilando entre o humor e a ação, e a memorável fotografia – que, além de planos, é bela, com cores que variam do férvido ao frio.



Uma Batalha Após A Outra é uma baita crítica à sociedade – não só aos estadunidenses ou a nós brasileiros, mas que reflete no mundo inteiro, para tudo, para todos. No entanto, é uma verdadeira cilada para os desprevenidos; forte aos de bom senso.

 
 
 

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